Construção única, prazer intemporal
 
 
 

A história

Consta que terá sido a corte de Filipe II (finais do Séc. XVI) a divulgar e instituir o hábito de saborear o sorvete ou a bebida gelada durante os meses de estio em Portugal.
Considerando que ainda não existiam as modernas tecnologias de refrigeração, o recurso à neve e ao gelo apresentava-se como a única opção existente. Assim sendo, registou-se uma procura crescente deste escasso e valioso bem, assim como da sua comercialização.
Estando localizada a cerca de 40 Km de Lisboa e próxima do rio Tejo, que na época constituía uma via privilegiada de acesso à capital, a Serra de Montejunto apresentava grandes vantagens sobre a Serra do Coentral, o então centro abastecedor de neve.
A Real Fábrica do Gelo terá sido construída por volta de 1741, e terá custado entre 40 e 45 mil cruzados, despesa megalómana para a época. A sua construção terá tido como principal objectivo colmatar as falhas sistematicamente registadas nos fornecimentos da Serra do Coentral.
Quase tudo o que se sabe sobre a actividade da Real Fábrica do Gelo deve-se à tradição oral, nomeadamente a testemunhos de descendentes de pessoas que trabalharam no fabrico do gelo.
Conta-se que quando chegava o mês de Setembro enchiam-se os tanques rasos de água e durante a noite esperava-se que o frio a congelasse. Quando o gelo se formava, o guarda da fábrica ia a cavalo até à aldeia de Pragança e, com uma corneta, acordava os trabalhadores. Antes do nascer do sol, num trabalho árduo e duro, as placas de gelo eram partidas, os fragmentos amontoados e depois carregados para os silos de armazenamento, onde o gelo era conservado até à chegada do Verão.
Na época do calor, decorria a complicada tarefa do transporte até à capital do reino. Primeiro o gelo era transportado no dorso de animais, para vencer o acentuado desnível da serra. Seguia depois em carroças que o faziam chegar, o mais rápido possível, aos “barcos da neve” ancorados na Vala do Carregado. Estes barcos completavam o circuito do gelo, transportando-o até Lisboa, a capital do reino.

Estima-se que a actividade da Real Fábrica do Gelo tenha cessado em finais do Séc. XIX, tendo caído no esquecimento por quase um século.

 
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